sábado, 8 de novembro de 2008

pH x KH x GH x CO2

O pH refere-se à qualidade da água ser ácida ou alcalina. Um pH igual a 7.0 é considerado neutro, enquanto que valores abaixo de 7.0 são ácidos e acima alcalinos. Nos aquários de água doce cada espécie de peixe ou planta vive melhor em um determinado pH, que é referente ao pH do local de origem desta espécie.
No entanto a maioria das espécies aceitam valores de pH um pouco diferente do seu habitat natural. É importante lembrar que a escala do pH é logarítmica, ou seja, um pH de 6.2 é dez vezes mais ácido do que um de 7.2, daí a importância dos décimos, então quando dizemos que os peixes aceitam pequenas variações, estas variações são de aproximadamente 0.2.
No aquário, duas características tornam o pH um valor importante. Primeiro, como já foi dito anteriormente, cada espécie está adaptada a uma faixa de pH, podendo inclusive morrer se o pH não atender as suas necessidades, para este problema podemos alterar o pH para obtermos os níveis desejados. Segundo, a maioria das espécies (espécie se refere a toda forma de vida do aquário, e não apenas aos peixes) é extremamente sensível à variações rápidas de pH. Uma variação maior que 0.3 por dia já é prejudicial à saúde do aquário (a expressão "saúde do aquário" se refere aos peixes, plantas, bactérias, algas, etc.). Torna-se necessário então que consigamos duas coisas:
• ajustar o pH, ao nível desejado;
• estabilizar o pH, impedindo variações indesejáveis.
A longo prazo, principalmente em aquários mal cuidados ou com filtragem inadequada (falaremos sobre filtragem em um outro artigo), o pH tende a baixar devido ao aumento do ácido nítrico (nitratos) e outros ácidos orgânicos. Em outros casos, dependendo do tipo de cascalho utilizado e da origem da água, o pH tende a ficar elevado.
Existem nas lojas diversos acidificantes e alcalinizantes, porém mesmo com o uso destes produtos é muito difícil ajustar o pH, por que depois de algum tempo o pH tende a voltar aos valores antigos. Isto porque na maioria das vezes é ignorada a dureza carbonatada da água (KH).
A dureza carbonatada também é conhecida como alcalinidade (alkalinity), potencial alcalino, ou capacidade de tamponamento. Mas na realidade a dureza carbonatada se refere apenas aos carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água, pois existem outros compostos, inclusive alguns fosfatos, silicatos e outros que também possuem o efeito tampão. Os testes de KH existentes no mercado também medem a alcalinidade total, e não apenas os carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água. Mas o termo KH não deixa de ser correto, pois nos aquários os principais compostos alcalinos são os bicarbonatos e os carbonatos.
O KH é o responsável pelo "efeito tampão", que é a capacidade de manter o pH estável, mesmo com a adição de ácidos ou bases (compostos alcalinos). Deste modo o pH está intimamente relacionado com o KH. Se um aquário está com o KH alto, será muito difícil alterar o seu pH, enquanto que se estiver com o KH baixo é muito difícil manter o pH estável, estando a água sujeita à grandes variações de pH. Algumas pessoas acham que, tendo um KH elevado, o pH também será elevado, mas isto não é verdade, pois se tivermos uma quantidade de compostos ácidos superior à capacidade de absorção do KH, o pH pode ser extremamente baixo (já vi um aquário com KH 7° e pH 6.5). O contrário também é possível pois podemos ter compostos alcalinos com poucos carbonatos, ou seja pH alto e KH baixo.Então se você está tendo problemas com o pH é bom verificar o KH.
Muitas vezes o KH (dureza carbonatada) é confundido com o GH (dureza geral). O GH refere-se à concentração de magnésio e cálcio dissolvidos na água. A relação do GH com o pH é muito pequena, mas ele é importante para algumas espécies de peixes e plantas mais exigentes. Pergunte para o vendedor as exigências das espécies que você pretende comprar, se ele não souber informar, e nem se preocupar em descobrir, é bom mudar de loja, afinal já pensou como vivem, ou sobrevivem os peixes e plantas em uma loja destas? Apenas cuidado para não confundir GH com KH.
O método mais simples de diminuir o KH e o GH é realizar trocas parciais com água de dureza carbonatada e geral mais baixas. Mas lembre-se que toda alteração deve ser feita lentamente, pois mudanças bruscas estressam os peixes, podendo causar diversas doenças e até mesmo a morte. Outro método é colocar turfa ou xaxim na água, turfa podemos encontrar em lojas de aquário, e xaxim em floriculturas. O xaxim é mais barato, mas menos eficiente. Se for utilizar xaxim cuide para que ele seja "puro", pois como é utilizado para o plantio de flores e folhagens, muitos contém fertilizantes e outros compostos (fungicidas, bactericidas, inseticidas, etc.) que podem causar um grande estrago no seu aquário.
Se você pretende aumentar o KH, pode adicionar bicarbonato de sódio, encontrado em farmácias. Se você pretende elevar o GH e o KH, pode adicionar carbonato de cálcio (CaCO3). Toda adição deve ser feita lentamente e sempre devemos medir os valores algumas horas depois da adição, para verificar o quanto foi alterado.
Também existem alguns produtos, por enquanto apenas importados e por conseqüência caros, que ajustam automaticamente o pH. Estes produtos são conhecidos como tamponadores. Se você tiver dificuldade em ajustar o pH, estes produtos podem ser muito úteis, pois além de ajustar o pH automaticamente, ajustam também o KH evitando variações de pH.
Não existe um valor ideal de KH para manter o pH estável, pois isto depende de quais outros compostos existem dissolvidos no aquário e em qual quantidade. Geralmente um KH de 4° é suficiente para manter o pH estável (geralmente, mas não sempre).
Tanto o KH como o GH são medidos em diferentes unidades, as mais utilizadas são graus (escala alemã), ppm (partes por milhão) ou mg/l (miligramas por litro).
1 grau = 17.8 ppm CaCO3
1 mol/L alcalinidade = 2.8 graus
1 ppm = 1 mg/L
Outra maneira de controlar o pH é através da injeção de CO2, este método é muito utilizado em aquários densamente plantados para atender a demanda de gás carbônico das plantas. As plantas utilizam CO2 no processo de realização da fotossíntese.
O CO2 dissolvido está diretamente ligado ao pH e ao KH, pois as reações químicas que ocorrem entre a água entre os carbonatos e bicarbonatos e o CO2 geram ácido carbônico, que faz o pH diminuir.
Podemos resumir a relação pH x KH x CO2 na seguinte tabela:
KH
pH
6.0 6.2 6.4 6.6 6.8 7.0 7.2 7.4 8.0
0.5 15 9.3 5.9 3.7 2.4 1.5 0.9 0.6 0.2
1.0 30 19 12 7 5 3 1.9 1.2 0.3
1.5 44 28 18 11 7 4 2.8 1.8 0.4
2.0 59 37 24 15 9 6 4 2.4 0.6
2.5 73 46 30 19 12 7 5 3 0.7
3.0 87 56 35 22 14 9 6 4 0.9
3.5 103 65 41 26 16 10 7 4 1.0
4.0 118 75 47 30 19 12 6 5 1.2
5.0 147 93 59 37 23 15 9 6 1.5
6.0 177 112 71 45 28 18 11 7 1.8
8.0 240 149 94 59 37 24 15 9 2.4
10 300 186 118 74 47 30 19 12 3
15 440 280 176 111 70 44 28 18 4
CO2 milligramas/litro
Analisando a tabela é possível concluir que conhecendo os valores da dureza carbonatada e pH podemos inferir a quantidade de CO2 dissolvido na água, e aumentando ou diminuindo a injeção de CO2 podemos alterar os valores de pH. Porém índices muito altos de CO2 podem ser prejudiciais aos peixes, mas também são difíceis de serem atingidos. Mesmo assim é bom evitar índices acima de 30 mg/l, principalmente em aquários com poucas plantas, pois as plantas convertem o gás carbônico em oxigênio.
Entretanto é preciso ter alguns cuidados pois a tabela baseia-se apenas na dureza carbonatada, ou seja, na quantidade de carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água, mas os testes de KH existentes medem o potencial alcalino total, ou seja medem também o potencial alcalino de outros compostos, como já foi dito anteriormente. Deste modo, se você tiver outros tamponadores no seu aquário a tabela pode não funcionar adequadamente. Mas, como já foi dito, o que predominam são os carbonatos e bicarbonatos, sendo assim provavelmente você não tenha problemas deste tipo.
Através da tabela também é possível controlar a quantidade de CO2 para as plantas, mas isto fica para outra matéria.

Doencas infecto contagiosas

Protozoários Infecto-Contagiosos de Água Doce
A influência de protozoos na saúde dos peixes é largamente conhecida pela comunidade aquariófila, no entanto é difícil ao aquariófilo amador tentar fazer o diagnóstico correcto de que espécie se trata e qual o melhor tratamento que se deve aplicar. Assim, este texto pretende ser uma ajuda a todos aqueles que ambicionam conhecer e tratar convenientemente seus peixes.
Os protozoos são organismos unicelulares, chamados também de animais primitivos. Estes apresentam características que demonstram a sua adaptibilidade ao meio, como por exemplo os fitoflagelados que contêm clorofila, parte integrante do mundo vegetal e não animal como sabemos. Reproduzem-se sexual ou assexualmente, podem deslocar-se no meio seja por flagelos, seja por cílios ou até por projecções do próprio citoplasma (pseudópodos). Assim não devemos nunca pôr em causa a capacidade que estes pequenos seres têm de infectar os peixes. São em grande parte oportunistas, que esperam um peixe com imunidade baixa, devido a stress ou a más condições da água. Sabendo isto, à partida somos nós mesmos o primeiro tratamento preventivo do nosso aquário, mantendo-o sempre em condições de higiene apropriadas, evitando assim a propagação de qualquer tipo de protozoos.
Os protozoos dividem-se em 5 grupos:
• Os cíliados (Ciliophora), caracterizados por apresentarem cílios e núcleos de duas classes.
• Os flagelados (Mastigophora), têm flagelos em alguma fase do seu ciclo de vida.
• Os apicomplexos, endoparasitas que têm um ciclo de vida complexo com emissão de esporas.
• Os microesporidios (microsphora).
• Os myxosporidios, diferenciam-se dos anteriores por terem 2 células infectantes em cada espora.
Segue-se agora uma lista dos principais agentes contagiosos, seus sintomas e respectivo tratamento.
Nome comum: Doença do ponto branco
- Agente: Icthyopthirius multifilis
- Ciclo biológico: Este protozoo tem 3 fases no ciclo, a parasitária em que se mantém entre a epiderme e a derme do peixe, saindo apenas quando está sexualmente maduro (trofonte). A fase quística, livre, em que se subdivide em vários quistos. E finalmente a dispersiva, em que se abre o quisto e liberta centenas de formas infectantes, as tomites. Estas com tamanho reduzido (40 microns) movimentam-se no meio através de movimentos ciliares procurando um hóspede, têm um tempo aproximado de vida de 50 horas.
- Sintomas: Como mecanismo de defesa do peixe, o protozoo é envolvido numa massa celular, sendo visto a olho nu como pequenos pontos brancos de 1 mm aproximadamente. Se chegar ao epitélio branqueal apresentam também dificuldades em respirar.
- Tratamento: Vários são os tratamentos eficazes contra o Ictio. No entanto, a fim de não intervir no ciclo do nitrogénio de seu aquário, o aumento de temperatura (31°C), durante a fase dispersiva é a forma mais “natural” de acabar com a doença, já que as tomites não toleram esta temperatura. Este tratamento deve ser feito durante uma semana, a fim de libertar também os núcleos da forma parasitária. No caso de não poder usar a temperatura, são eficazes o Formol, o cloreto de sódio e o azul de metileno.
Nome comum: Oodinose
- Agente: Fitoflagelado Piscinoodinium
- Ciclo: diferenciando-se do seu “primo” de água salgada por ter cloroplastos, que lhe permitem usar a luz como fonte de energia, este apresenta 3 fases como o Ictio. Na fase dispersiva são libertadas dinoesporas que por meio de movimentos flagelares procuram o hóspede. Estes protozoos localizam-se na pele, na camada subepiteliais, embora colonizem outras zonas como as brânquias.
- Sintomas: aparecimento de nódulos na pele “aveludados”, possível dificuldade respiratória.
- Tratamento: O permanganato de potássio, o verde de malaquite e o azul de metileno são eficazes contra este flagelado.
Nome comum: Costíase
- Agente: flagelados do género Ichthyobodo (das várias espécies destes protozoários bi-flagelados a mais comum é a I. necatrix).
- Ciclo: É dos mais simples entre os protozoários, pois coloniza a pele do hóspede com os seus flagelos e se as condições forem boas dividem-se por bipartição, movimenta-se na água e é assim que se transmite a outros peixes. Em caso de condições adversas podem permanecer enquistadas na pele do peixe ou até na água. É sem dúvida o ectoparasita mais comum de água doce.
- Sintomas: enturvamento da pele
- Tratamento: São mais eficazes os banhos com formalina e permanganato de potássio, podendo também usar os mencionados acima.

Doenças de agua doce

Doenças de Água Doce
Contributo de Elaine Thompson
Tradução de Gonçalo Nunes
Direitos de Autor
As FAQ existem graças à contribuição dos participantes na Net e, como tal, pertencem aos leitores dos newsgroups de aquariofilia. Os artigos com menção estão sujeitos aos direitos dos respectivos autores. Cópias das FAQs podem ser feitas livremente desde que distribuidas gratuitamente e incluídos os autores e a reserva de direitos.
Causas
P: Porque é que os meus peixes estão doentes e como é que posso evitar mais doenças ?
R: Provavelmente 80-90% das doenças em peixes mantidos em cativeiro podem ser prevenidas evitando situações de stress. O stress enfraquece o sistema imunitário dos peixes, levando a um aumento da susceptibilidade à doença. Na realidade, as doenças e agentes patogénicos estão quase sempre presentes nos aquários, mas o sistema imunitário de um peixe saudável irá evitar que estes se tornem um problema. Alguns dos factores de stress mais comuns para peixes em cativeiro são:
• Fraca qualidade de água: amónia e nitritos presentes, ou nitratos muito altos.
• A temperatura da água variar mais de 16 C por dia
• Incompatibilidade de espécies no aquário
• Peixes a mais no aquário (5 escalares adultos num aquário de 4o litros)
• O aquário ser pequeno demais para o peixe (um peixe de 30 cm num aquário de 40 litros)
• A água ser quente ou fria demais para a espécie (peixe-vermelho vs. Peixes tropicais)
• pH errado para a espécie (Discus vs. Ciclídeos Africanos)
• Flutuações de pH superiores a 0.2 unidades por dia
• Protecções ou abrigos insuficientes
• Dureza errada da água para a espécie (Discus vs. Ciclídeos Africanos)
• Oxigénio insuficiente na água
• Nutrição insuficiente do peixe (comida errada, comida não variada).
Manter o aquário livre de doenças
P: Preciso de um aquário de quarentena para os peixes recém adquiridos?
R: Efectuar a quarentena a peixes recentemente adquiridos é um bom hábito para qualquer aquário, mas não é absolutamente necessário para obter sucesso. A quarentena trata apenas de manter os peixes isolados num outro aquário pelo período de tempo necessário até se ter a certeza que não são portadores de qualquer doença. Muitos principiantes sem aquário de quarentena não têm quaisquer problemas, e argumentam em desfavor de adicionalmente montar um aquário com esse fim com base no preço. Um tanque de quarentena custa de facto mais, mas se o aquariófilo já tem milhares de escudos investidos em peixes, é mais barato possuir um aquário de quarentena separadamente do que substituir os peixes mortos por uma doença recentemente introduzida. Além disso, muitos de nós ficamos ligados aos peixes e não queremos pôr os nossos animais de estimação expostos a doenças trazidas por peixes novos, independentemente do custo.
O propósito de efectuar quarentenas é o de evitar a introdução de novas doenças a um sistema estável, e ser capaz de observar melhor os novos peixes para eventuais sinais de doença. Um aquário de quarentena pode também desdobrar-se em aquário hospital para peixes doentes. Estes aquários hospital são bons pois baixam o custo do uso de medicamentos e mantêm os peixes doentes separados dos saudáveis. A quarentena é provavelmente mais importante para aquários de água salgada e de recife de coral por causa da dificuldade do tratamento das doenças, ou nos peixes de água doce apanhados no meio natural porque estes provavelmente não estão isentos de doenças. A quarentena pode ela própria colocar os peixes em stress, por isso deve-se verificar se esta é correcta para evitar factores que levem ao stress.
Montar um aquário de quarentena ou hospital:
• Manter um filtro extra - de esponja é o ideal - ou de lã de vidro num aquário já estabelecido, de maneira a que não se tenha de estar permanentemente a começar a filtragem biológica do aquário de quarentena de início. Algumas pessoas usam em alternativa para manter o filtro biológico activo guppies ou zebras (para aquários de quarentena de água doce) e mollies (para aquários de quarentena de água salgada)
• Se não se mantiver o aquário montado, deve-se usar água envelhecida para enchê-lo. Assim: água envelhecida + filtro estabelecido = aquário instantaneamente estabelecido.
• Adicionar uma bomba de ar e termóstato extra. Se não se andou a mexer no termóstato durante o seu armazenamento, este deve vir programado como da última vez que o guardámos. *Deve considerar-se o uso de Amquel ou equivalente quando se administrar medicamentos ao aquário no caso de as bactérias do filtro biológico serem sensíveis a estes. Os peixes doentes são especialmente susceptíveis à presença de amónia. (É de notar que a amónia que se ligou ao Amquel ainda é visível num teste de amónia da Nessler. Por isso, se se quiser efectuar testes de amónia a esse aquário, é necessário usar um teste de salicilato para amónia)
• Num aquário hospital, deve-se efectuar mudanças de água frequentes (inclusive todos os dias).
Se possível, efectuar a quarentena a todos os peixes recém adquiridos por um período de cerca de 3 semanas. Durante esse tempo, aclimatar gradualmente os peixes aos parâmetros do aquário a que se destinam: dureza, pH, salinidade, temperatura, etc. Observar e tratar quaisquer sinais de doença.
Não se deve medicamentar peixes em quarentena tendo como argumento "é só para prevenir". Tratar apenas doenças evidentes e perfeitamente identificadas. Tratar os peixes de quarentena com um conjunto de medicamentos terá apenas como fim peixes enfraquecidos e bactérias resistentes a antibióticos.
Uma vez terminada a quarentena, se se tratou de alguma doença particularmente séria, é bom desinfectar o aquário e restabelecer o filtro biológico. Lixívia ou água bastante salgada (para água doce) funcionam bem. No entanto deve-se certificar se todos os traços de lixívia são eliminados (bem lavados). Outro bom desinfectante é o permanganato de potássio (uma forma comercial de o obter é o Jungle�s Clear Water).
Se não se decidir pela quarentena, não se deve adicionar água armazenada ao aquário que tem os peixes recém adquiridos (ver a FAQ Iniciação à Água Doce para ideias sobre a aclimatação).
P: E porque não fazer uma quarentena às plantas ?
R: As plantas também podem transportar doenças para um aquário. É boa ideia desinfectar as plantas novas se estas estiveram conjuntamente com peixes na loja. Para mais informações sobre métodos de desinfecção de plantas ver a FAQ Plantas.
P: Em primeiro lugar como é que evito introduzir doenças ?
R: Nunca comprar peixes doentes da loja. Especialmente não comprar peixes ou plantas dum aquário se *algum* dos peixes no aquário mostrar sinais de doença ou se existe um medicamento na água desse aquário (água colorida de amarelo, verde, ou azul). As pessoas da loja podem dizer que os peixes estão bem, mas se de facto estão, porque é que existem medicamentos no aquário? Também se deve perguntar há quanto tempo os peixes estão na loja. Peixes recém chegados podem trazer doenças que ainda não foram detectadas. Sendo melhor esperar umas duas semanas antes de comprar os peixes. Se no entanto se quer o peixe que acabou de chegar, deve-se ter especial atenção em efectuar correctamente a sua quarentena.
Diagnóstico/Doenças comuns ou: Como é que sei que o peixe está doente?
O mais importante: observar os nossos peixes e determinar qual a sua aparência e comportamento normais. Se não se souber o que é o estado normal, não se pode saber o que é o estado doente.
Maus sinais:
• Barbatanas presas (as barbatanas estão dispostas anormalmente perto do corpo).
• O peixe recusa a sua comida habitual por mais de 2 dias.
• Existem pontos visíveis, lesões, ou manchas brancas no peixe.
• O peixe vem respirar à superfície da água.
• O peixe flutua, afunda-se, gira, ou nada de lado.
• O peixe oscila (move-se de um lado para o outro sem progredir para a frente)
• Um peixe normalmente activo encontra-se parado.
• Um peixe normalmente parado encontra-se muito activo.
• Um peixe incha de repente, e não é por ter ovos ou alevins.
• O peixe esfrega-se contra as decorações do aquário.
Sugere-se a criação de um armário com medicamentos. Quase parece que os peixes ficam sempre doentes quando as lojas estão fechadas.
• Testes da qualidade de água: pH, amónia, nitritos, nitratos
• Sal de aquário (e NÃO sal de mesa. A maioria dos sais de mesa possuem aditivos para evitar a sua agregação. Kosher ou sal gema são bons)
• Verde de Malaquite/formol remédio para os pontos brancos
• Azul de Metileno
• Lixívia para desinfecção
• Talvez um antibiótico (Kaianamicina ou Furanace)
• Comida com antibióticos
• Remédio com cobre para tratamento de parasitas
E para peixes grandes demais para manusear:
• Q-tips
• Verde de Malaquite e mercurocromo
Doenças comuns/problemas ou: O que se passa de errado com os meus peixes?
Má qualidade de água
Os peixes estão a respirar à superfície, ou muito inactivos, mas não existem lesões quando tudo começou. As barbatanas parecem estar presas. Muitos peixes de diferentes espécies são afectadas, e possivelmente todo o aquário. Se a água se manteve em mau estado há algum tempo, os peixes podem apresentar putrefacção das barbatanas, ou manchas de sangue nas barbatanas.
• Se os peixes estão a respirar à superfície, ou possuem brânquias roxas: amónia em concentrações elevadas ou pouco oxigénio podem ser a causa; testar a amónia e o oxigénio dissolvido.
• Se o principal sintoma é a inactividade: testar os nitritos, pH, oxigénio dissolvido, nitratos
Dependendo dos resultados dos testes, efectuar o seguinte:
Amónia
Mudar a água o suficiente para reduzir os níveis de amónia para 1-2 ppm em água doce e abaixo de 1 ppm em água salgada. Se isso significar uma mudança de mais de 1/3 da água, ter a certeza que a água que se adiciona está à mesma temperatura, salinidade, dureza e pH que a da água do aquário. Pode também efectuar-se várias pequenas mudanças de água durante alguns dias. Deve-se aerificar, e certificar que o pH está igual ou abaixo de 7.0 nos aquários de água doce. Adicionalmente ou em vez de efectuar mudanças de água, pode-se adicionar Amquel para imediatamente aliviar o peixe. Descubra porque é que a amónia está presente e corrija o problema.
Nitritos
Mude a água o suficiente para trazer os nitritos abaixo de 2 ppm (tal como para a amónia se for muita água, encaixar os parâmetros ou realizar múltiplas mudanças), adicionar uma colher de sopa de sal para 4 litros de água (nem todos os peixes poderão tolerar esta quantidade - começar com uma colher de chá), e adicionalmente aumentar a aerificação. Descubra porque é que os nitritos estão presentes e corrija o problema.
Nitratos
Mudar a água e limpar o filtro. Se o filtro se encontra sujo, existem mais restos de matéria orgânica presente para ser transformada em nitratos. Começar por alimentar menos e mudar mais vezes a água.
Níveis baixos de oxigénio
Juntar mais uma pedra difusora. Se isto ajudar, o peixe provavelmente não tem oxigénio suficiente na água. O aquário pode precisar de ser limpo, ter menos peixes, ou maior movimento de água à superfície a partir de uma cabeça motorizada, uma pedra difusora, ou de um filtro.
PH impróprio
Se os valores de pH são muito baixos: certificar-se que o tamponamento com carbonatos é adequado, pelo menos 5 dKH. Em geral adicionar 1 colher de chá cheia para 120 litros, aumenta o dKH em 2 graus. Para um aquário de 40-80 litros que necessita do pH um bocadinho mais elevado, experimentar adicionar um quarto de colher de chá cheia. Se isso não for suficiente adicionar uma colher de chá cheia ou mais. Em aquários de grande capacidade pode-se ir até 1 colher de chá cheia para 120 litros. Se os valores de pH continuam baixos e o KH está pelo menos nos 5-6 graus de dKH, limpar o aquário. Para uma tamponização a longo prazo de sistemas de água salgada e água doce alcalina, adicionar areia de coral. Se o pH é muito elevado, pode-se adicionar ácido fosfórico para baixar o pH. Não usar e abusar deste ácido uma vez que pode promover o crescimento de algas, usá-lo só em casos extremos como o de envenenamento por amónia. Para baixar o pH a longo prazo, usar turfa no filtro, ou usar água destilada ou desionizada misturada com a água da torneira.
Icto: Doença dos Pontos Brancos
Sintomas: Os peixes parecem apresentar pequenos grãos de sal no corpo e podem esfregar-se de encontro a objectos no aquário.
A doença dos pontos brancos é causada por um protozoário (Ichthyopthirius multifiliis) com um ciclo de vida o qual inclui uma forma nadante livre. Este protozoário desenvolve-se no peixe à destaca-se deste e vai ligar-se ao areão ou ao vidro do aquário à reproduz-se dando origem a muitos parasitas à estes parasitas colam-se depois ao corpo de outros peixes. Se estes parasitas não encontram um hospedeiro, morrem passados cerca de 3 dias (dependendo da temperatura da água).
Assim, para a cura, o medicamento tem de ser administrado directamente no aquário de forma a matar estas formas livres de parasitas. Se os peixes são retirados para um aquário de quarentena os parasitas que se encontram no aquário principal escapam ao tratamento - a menos que todos os peixes sejam removidos por um período de cerca de uma semana em água doce e de 3 semanas em água salgada. Num aquário de recife de coral, em que os invertebrados são sensíveis a este tipo de tratamento, remover os peixes é a única opção. Pensa-se que estes protozoários se encontram na forma dormente na maioria dos aquários. Sendo activados quando ocorrem flutuações de temperatura.
Cura: Para a maioria dos peixes, usar um medicamento com formol e verde de Malaquite. Estes são ingredientes activos em muitos dos medicamentos à venda em lojas de aquários. Alguns desses produtos são o Rid Ich da Kordon e Quick cure da Aquarium Pro. No entanto basta ler o rótulo para descobrir uma série de outros produtos semelhantes de outros fabricantes. Verificar se existem flutuações de temperatura no aquário e corrigi-las para evitar que o mesmo suceda de novo. Notar que os tetras são ligeiramente sensíveis ao verde de Malaquite, por isso usar metade da dose deste produto.
Use estes produtos como indicado (regra geral uma dose diária) até que todos os pontos desapareçam dos peixes. Depois dosear de 3 em 3 dias até perfazer um total de mais 4 doses. Isto permitirá matar todas as formas livres de parasitas assim que eclodem dos cistos.
Outra forma de cura é aumentar a temperatura da água do aquário até cerca de 32 C e adicionar 1 colher de chá de sal para 4 litros de água. Nem todos os peixes suportam este tratamento.
Finalmente, pode ainda tratar-se esta doença através de um "método de transferência". Movem-se diariamente os peixes para um aquário diferente com água limpa, condicionada, e quente. Os parasitas destacam-se dos peixes ficando assim neste aquário. Após mudar os peixes diariamente durante uma semana, os peixes (presumivelmente curados) podem ser de novo introduzidos no aquário principal. A desvantagem deste método é causar stress não só aos peixes como ao próprio aquariófilo.
Apodrecimento das barbatanas
As barbatanas dos peixes ficam brancas e desaparecem. A putrefacção segue-se regra geral a uma ferida ou lesão. Pode também ser causada por má qualidade de água.
Cura: Primeiro, tratar a água e remover peixes que gostam de mordiscar as barbatanas de outros. Mudar parte da água (cerca de 25%) e adicionar uma colher de chá de sal para melhor sanar a ferida. Se o problema era má qualidade de água ou outro peixe no aquário, isto deve chegar. As feridas devem começar a sarar dentro de dois dias.
Se por outro lado piorar, verificar primeiro se isso é causado por fungos ou bactérias. A putrefacção por meio de fungos dá um aspecto de haver tufos de algodão nas barbatanas seguindo-se geralmente a uma lesão. É visto com frequência em ciclídeos Africanos ou peixe que se aleijaram de encontro a decorações do aquário. A putrefacção por meio de bactérias, dá também um aspecto branco às barbatanas mas sem o aspecto de algodão como nos fungos (à excepção da infecção provocada pela bactéria Columnaris), e pode ser contagiosa. Torna-se então necessário retirar os peixes do aquário e tratá-los.
Fungos: Para peixes de tamanho suficiente para serem manuseados, apanhá-los, e esfregar o peixe com uma cotonete, em que uma das pontas foi previamente embebida em verde de Malaquite, na zona em que os fungos se encontram presentes. Isto é extremamente eficaz. Poderá ser necessário repetir este tratamento mais vezes.
Para peixes mais pequenos, um fungicida comercial como o Maroxy pode resultar. Para infestações mais sérias, tentar um banho com Azul de Metileno (de forma a que mal se consiga ver o peixe) até os fungos se tornarem azuis ou durante 20 minutos. Se o azul de metileno for administrado directamente para o aquário, as plantas morrem e o filtro biológico é danificado.
Bactérias: Tratamento com antibióticos num aquário de quarentena. Isto é muito traumatizante para os peixes, e nem sempre dá resultado, por isso deve-se certificar bem o que se está a fazer antes de o tentar. Se o peixe está a comer a melhor aposta é usar antibióticos na comida. A Tetra fabrica um com bons resultados - comprar o que indica tratamento de infecções bacterianas e seguir o que está indicado no rótulo.
Se o peixe não está a comer, um tratamento por imersão torna-se necessário. Uma combinação de Kainamicina e Furanace geralmente dá bons resultados, especialmente para Columnaris. Mais uma vez, o tratamento deve ser num aquário separado e com forte aerificação.
Lesões
Ciclídeos e outros peixes agressivos podem apresentar lesões que são sérias o suficiente para sangrarem após uma luta. Outros peixes podem ir de encontro a decorações do aquário, aos vidros, ou pedras.
Os peixes maiores podem ser apanhados e as suas feridas esfregadas com mercurocromo (disponível nas farmácias) ou Betadine (antibiótico à base de iodo também disponível nas farmácias)de forma a evitar infecções. Deve-se certificar que estes químicos não entram em contacto com os olhos ou brânquias. Para peixes muito pequenos, colocá-los num aquário separado com Azul de Metileno (não muito forte - pálido) e 1 colher de chá de sal para 4 litros. Se se quiser manter os peixes no aquário adicionar apenas o sal, uma vez que o Azul de Metileno irá danificar o filtro biológico.
Observar os peixes de forma a certificar-se que as lesões estão a sarar bem, e repetir a dose com mercurocromo caso se justifique. Se posteriormente surgir a putrefacção das barbatanas ou uma infestação por fungos, ler a informação acima dada sobre putrefacção das barbatanas.
Hidropisia
O peixe incha como um balão e apresenta os olhos a saltarem da órbita. Pode recuperar sem tratamento ou morrer mesmo com tratamento. O inchaço deve-se ao facto do peixe estar a absorver mais água do que a eliminá-la, e isto pode ser causado por uma série de problemas. Nitratos elevados é uma das coisas a verificar. Infecções bacterianas internas, incluindo tuberculose íctica, são outras possibilidades. Se não existirem problemas com a qualidade de água, pode-se tentar um tratamento à base de antibióticos num outro aquário.
Erosão da linha lateral e cabeça (Doença dos buracos na cabeça)
Esta doença pode afectar Discus, outros ciclídeos, e muitos peixes de água salgada. O peixe desenvolve pequenos orifícios na sua cabeça e muitas vezes ao longo da linha lateral. As causas são incertas mas como qualquer doença, o stress e má qualidade de água exercem um papel importante. O Manual of Fish Health diz que esta doença pode ser provocada por deficiências nutricionais, especialmente em vitamina C. Peixes que estão em aquários plantados raramente apanham esta doença, o que suporta a ideia relativa a problemas nutricionais, uma vez que os peixes podem mordiscar as plantas e obter mais algum alimento complementar. Untergasser, observou a presença do protozoário Hexamita nestas lesões. Casos que não são tratados levam a um grave desfiguramento ou podem ser mesmo fatais.
Cura: Primeiro, certificar-se que a qualidade de água é óptima e reduzir o stress. Parar o filtro de carvão activado pode ajudar uma vez que este retira nutrientes da água. Depois fornecer uma alimentação rica em vitaminas, prestando particular atenção a um suplemento de vitamina C.
Para casos mais complicados, alguns livros sugerem metronidazola (Flagyl) para eliminar Hexamita (protozoário patogénico não muito forte) das lesões. A experiência do aquariófilo pode influenciar o sucesso deste tratamento. Metrozole e Hex-a-mit são produtos comerciais com metronidazola.
Desordens na Bexiga Natatória
O peixe nada de barriga para cima ou de lado. Isto é particularmente comum nos peixes vermelhos devido às formas bizarras dos seus corpos. Flocos consumidos rapidamente incham no intestino do peixe e impedem o peixe de controlar a bexiga gasosa convenientemente. Para ajudar os peixes, alimentá-los com alimentos previamente imersos ou gelatinosos. Vegetais são também bons, ervilhas em particular.
Tal como no apodrecimento das barbatanas, estas desordens podem ser causadas por infecção bacteriana. O tratamento é praticamente o mesmo. Usar antibióticos no alimento se o peixe está a comer, ou adicioná-los à água do tanque de quarentena se os peixes não estão a comer.
Parasitas externos grandes (em oposição ao protozoário causador do ictio)
Adicionar um medicamento à base de cobre ao aquário e controlá- lo através de um teste para cobre. O produto Maroxy da Mardel também funciona bem. Para sanguessugas ou copépodes em peixes de lago, removê-los com pinças e esfregar a zona com mercurocromo para evitar posterior infecção.
Veludo
Os peixes parecem ter sido polvilhados com pó dourado. As barbatanas podem estar presas e o peixe pode oscilar. Tratar com um medicamento anti-parasitas como o cobre ou formol e Verde de Malaquite.
Referências
The Manual of Fish Health
Dr. Chris Andrews, Adrian Exell and Dr. Neville Carrington.
New Jersey: Tetra Press, 1988
Este é um livro excelente, e recomendo-o a todos os que se interessam por este tipo de assunto.
Handbook of Fish Diseases
Dieter Untergasser
Translation by Howard H. Hirchhorn
T.F.H. Publications, Inc., 1989
Este é a minha segunda escolha. É muito bom, mas alguns dos tratamentos são difíceis de obter, e entra em mais detalhes que aqueles que o aquariófilo comum precisa (ou quer) saber.